Inflação ultrapassa novamente o teto da meta do Banco Central
A inflação brasileira, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou variação de 0,58% em maio, segundo dados divulgados pelo IBGE. O resultado ficou abaixo do observado em abril (0,67%), mas acima do registrado em maio de 2025 (0,26%).
Entre os grupos pesquisados, Alimentação e Bebidas foi novamente o principal responsável pela alta dos preços, com avanço de 1,33% e contribuição equivalente à metade da inflação do mês. Os maiores impactos vieram da batata-inglesa (44,69%), do tomate (20,62%), da cebola (16,80%) e das carnes (1,39%). Também se destacaram as altas de Habitação (1,22%), puxada pela energia elétrica residencial (3,67%), e da Saúde e Cuidados Pessoais (0,90%).
Índice de Preços ao Consumidor Amplo (%) de maio de 2026, por grupos
De janeiro a maio de 2026 o IPCA acumula alta de 3,20% e em 12 meses de 4,72%. Este último percentual significa o maior patamar do indicador desde setembro de 2025, quando em 12 meses o índice havia acumulado 5,17%. Também é relevante dizer que estamos nos afastando ainda mais do centro da meta buscada pelo Banco Central para o IPCA (que é de 3%). Inclusive, estamos novamente acima do teto desta meta, que é de 4,5%.
Evolução índice mensal e acumulado em 12 meses do IPCA (%)
Fonte: IBGE / Elaboração: Sindilojas-SP
Já o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que avalia a inflação das famílias que recebem de 1 a 5 salários mínimos, apresentou em maio uma variação de 0,65%, levando o indicador de 12 meses a 4,42%.
Evolução índice mensal e acumulado em 12 meses do INPC
Fonte: IBGE /Elaboração: Sindilojas-SP
Análise econômica
O resultado de maio reforça que a inflação continua sendo pressionada por fatores ligados aos custos básicos da economia. A alta dos alimentos permanece associada a dificuldades de oferta em alguns produtos e ao encarecimento da logística, influenciado pelos reajustes do diesel e da gasolina observados desde abril, que elevam os custos de transporte ao longo das cadeias produtivas. Além disso, o grupo Habitação ganhou relevância no índice com o impacto da bandeira tarifária amarela sobre as contas de energia elétrica residencial. Como há expectativa de mudanças no sistema de bandeiras diante da piora das condições de geração de energia, esse componente continuará exercendo pressão sobre a inflação nos próximos meses.
Perspectiva do varejo
Para o empresário do varejo, a aceleração dos preços merece atenção especial. Quando a inflação avança, parte da renda das famílias é absorvida por despesas essenciais, como alimentação, energia e transporte, reduzindo a capacidade de consumo em outros segmentos do comércio. Além disso, uma inflação mais resistente dificulta o processo de flexibilização da política monetária (queda de juros).
Quanto maiores forem as dúvidas sobre a convergência dos preços para a meta, menores são as chances de cortes adicionais na taxa Selic no curto prazo. Na prática, isso significa crédito mais caro para consumidores e empresas, limitando o financiamento do consumo, dos investimentos e da expansão dos próprios negócios varejistas.
Fonte: Sindilojas – SP


